Ao chegar em casa, Allana deixou a bolsa em cima do sofá e
foi para a lavanderia.
Ela deixou as flores em cima da máquina de lavar roupa e em
seguida abriu o armário e pegou um vaso adequado para aquelas flores.
Após lavá-lo bem e secá-lo com um pano que pegou no armário,
ela tirou o papel celofane que envolvia cada flor com cuidado e em seguida
sentiu o perfume delas, depois colocou-as cada uma com cuidado no vaso e
encheu-o com um pouco de água, em seguida pegou o vaso, apagou a luz, foi até a
sala e colocou o vaso com as flores no centro da mesa.
Ela ficou um pouco ali admirando as belezas das flores e
depois voltou à lavanderia, arrumou as coisas que deixou bagunçada e recolheu
as roupas.
Assim que dobrou e guardou as roupas, ela foi dar uma
ajeitada na casa.Depois foi ao seu quarto e vestiu uma calça preta de
ginástica, uma camiseta branca com um desenho da Minnie e um par de tênis
preto. Em seguida prendeu os cabelos na altura da nuca,pegou o celular e
desceu.
Antes de sair, pegou uma maçã na fruteira.
Eram seis e meia da tarde, a essa hora o parque Flamboyant
ficava cheio; as pessoas saiam do serviço e iam direto para lá fazer uma
caminhada,relaxar e esquecer o estresse do dia a dia.
Depois que jogou o miolo da maçã no lixo, Allana ligou o
celular, colocou os fones de ouvido e enquanto escutava música sertaneja,
caminhava tranquilamente pelo parque.
Ela estava distraída quando uma bicicleta veio em alta
velocidade em sua direção.
- Cuidado moça. – gritou alguém puxando-a rapidamente para o
outro lado da calçada, em seguida os dois caíram no chão.
O rapaz caiu em cima dela, quando ela se deu conta de quem
era, ela piscou os olhos diversas vezes não acreditando em quem via.
O rapaz também parecia surpreso, pois seus olhos estavam
arregalados diante dos olhos dela.
Eles ainda continuavam no chão com os olhos fixos um no outro.
Seus lábios estavam tão próximos que quase se tocaram.
Minutos depois, os dois despertam para a realidade ao ouvir
a buzina de uma bicicleta.
- Me desculpe Allana. – disse ele constrangido ajudando-a a
se levantar. – Você se machucou? – indagou apreensivo.
- Não, graças a você, eu estou bem. Muito obrigada
Cristiano. – disse após tirar o fone de ouvido e em seguida, sorriu
envergonhada.
- E você, se machucou? – indagou ela também preocupada.
- Não. – disse ele sorrindo para ela e em seguida falou
bravo:
- Aquele maluco deveria prestar mais atenção.
- A culpa não foi dele e sim minha, eu estava distraída.Eu
sou uma boba mesmo, se não fosse por você... – disse baixinho de cabeça baixa
toda tímida.
Allana sentiu um arrepio por dentro assim que ele pegou em
sua mão direita e começou a acariciá-la.
- Por favor, não fale assim, você não é boba e não teve
culpa de nada. – quando ele a tocou de leve em seu rosto com o polegar, Allana
olhou em seus olhos e sentiu seu corpo todo se incendiar por dentro.
De repente seus olhos estavam fixos um no outro, Cristiano
aproxima-se lentamente dela. Allana, ainda olhando nos olhos dele,
constrangida, sente seu coração pulsar.
Allana sabia o que ele estava prestes a fazer e poderia
impedir se quisesse, más não queria. Más antes que seus lábios se encontrassem,
passou por ali uma garota com um cachorrinho que acabou latindo alto assustando
os dois.
- Me desculpe Allana. – disse ele todo sem jeito passando as
mãos nos cabelos.
- Não aconteceu nada, não precisa se desculpar. – disse,
embora ela quisesse muito que o beijo viesse a acontecer.
Eles se olharam intensamente, sorrindo um para o outro.
Minutos depois, Cristiano percebe um fone de ouvidos no
celular dela e pergunta quebrando o silêncio.
- Que tipo de música você escuta?
- Sertanejo.
- Esse é o meu estilo de música preferido.
- Eu também escuto músicas românticas e agitadas, más o meu
estilo preferido é o sertanejo.
- Já que nós nos encontramos, o que você acha de andarmos
pelo parque juntos? – ele indagou e em seguida brincou com o seu rabo de
cavalo.
- Por mim tudo bem. – ela concordou.
Eles andavam em silêncio admirando a bela paisagem.
- Me fale sobre você. – pediu ele após alguns minutos em
silêncio.
- Eu perdi meus pais com quinze anos de idade em um acidente
de navio. Nós estávamos indo viajar para a Europa. Era a primeira vez que nós
andávamos de navio e também era a
primeira viagem que fazemos. Todos nós estávamos muito felizes.
- Eu estava amando aquele navio, eu observava cada detalhe
dele, os sorrisos nos rostos das pessoas, a alegria contagiante dos meus pais e
também contemplava a linda paisagem, o sol no horizonte, a água cristalina e
sentia a brisa suave batendo em meu rosto e balançando os meus cabelos.
Ouve uma pausa.
Cristiano percebeu que enquanto Allana contava sua história,
ela ficava muito feliz, sorridente e também sonhadora. Más essa alegria pareceu
sumir de seus olhos de repente dando lugar a uma carinha triste com os olhos
marejados de lágrimas.
Ao vê-la assim, Cristiano sentiu seu coração apertado, seus
olhos também estavam tristes e antes que ela continua-se com a história, ele
parou em sua frente, olhou em seus olhos, massageou seus ombros e disse:
- Vamos nos sentar ali no banco, você está muito tensa.
Quando eles se sentaram, Cristiano olhou para ela e com
carinho enxugou as duas lágrimas com os polegares que estavam escorrendo pelo
seus olhos.
- Obrigada. – agradeceu ela e em seguida fez um esforço para
sorrir.
Minutos depois continuou.
- Era para ser a viagem dos meus sonhos... dos nossos
sonhos. – de repente parou, olhou para cima, fechou os olhos, respirou fundo e
tentou unir forças para continuar.
- Se não quiser continuar, não precisa. – murmurou ele
olhando para ela e apertando sua mão direita.
Olhando para ele, Allana meneou a cabeça para os lados e
disse quase que desesperadamente.
- Eu preciso terminar de contar, eu preciso arrancar essa
angustia do meu peito.
Se isso fazia com que ela se senti-se bem depois, ele não a
impediu de continuar.
- Como eu disse, era para ser a viagem dos nossos sonhos,
más infelizmente o navio bateu em um iceberg e começou a afundar.
- Meu Deus do céu! – Cristiano murmurou passando as mãos nos
cabelos, ele ficou apavorado na hora más não demonstrou.
Allana baixou a cabeça e em seguida sentiu as lágrimas
quentes escorrerem pelos olhos.
Antes que Cristiano fosse abraçá-la e acalmá-la, Allana se
recompôs. Enxugou as lágrimas, respirou fundo e prosseguiu logo em seguida,
decidida a acabar com essa história de uma vez.
- Uns dos funcionários do navio tentava nos acalmar,
enquanto os outros pegavam o bote e mandavam todos nós colocarmos os coletes-
salvas- vidas.
Cristiano percebeu que ela tremia enquanto contava.
- Eles faziam o impossível para salvarem todos nós. Primeiro
eles salvaram as crianças e as mulheres.
De repente todos já estavam naquele mar gelado esperando
desesperadamente ser socorrido dali.
Quando o outro navio que eles haviam pedido chegou, eles
socorreram os restantes das pessoas, eu fui umas delas, más a maioria já tinham
perdido a vida, inclusive os meus pais Manuela e Fábio.
Encostando a cabeça no peito dele, ela tirou o elástico que
prendia os cabelos, colocou-os em cima do rosto para esconde-los , o abraçou e
começou a chorar.
Cristiano a abraçou confortando-a e afagou seus cabelos
tentando acalmá-la, minutos depois, ele percebeu que sua história havia mexido
com ele também e em seguida sentiu as lágrimas escorrendo pelo rosto.
Minutos depois, Allana parou de chorar deixando Cristiano
aliviado, más ela ainda permanecia abraçada a ele com a cabeça em seu peito.
- Eu sinto muito. – murmurou ele de repente comovido e em
seguida ergueu a mão direita e enxugou as lágrimas com o
polegar enquanto com a outra mão ele continuava afagando os cabelos dela.
Alguns minutos depois, Allana ajeitou os cabelos, afastou-se
um pouco dele e murmurou envergonhada enquanto enxugava as lágrimas do rosto.
- Me desculpe por tudo isso. Eu sou uma boba mesmo. – e em
seguida riu.
- Não fale assim, você não é boba. – disse ele com ternura
olhando em seus olhos e acariciando o seu rosto.
- Você está chorando. – disse ela quando olhou em seus olhos
assustada.
- Não se preocupe, eu estou bem. Eu só me comovi com a sua
história e me lembrei da minha também.
Allana pensou em falar para ele contar um pouco sobre a sua
vida, más desistiu por se tratar de algo íntimo e pessoal.
Sem dizer uma palavra, ela o abraçou na cintura e aninhou o
rosto em seu peito.
Cristiano também a abraçou e voltou a acariciar seus
cabelos.
Eles estavam no mais profundo silêncio apenas ouvindo os
sons dos pássaros e dos ventos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário