No fim do expediente
todos foram rumo ao estacionamento em silêncio.
O clima ali não era um dos melhores.
Cristiano caminhou apressadamente até o seu carro e tateou
as mãos nos bolsos da camisa e da calça a procura da chave.
Junior e Daniel olharam disfarçadamente para ele e
perceberam que Cristiano estava com a cara fechada e quase soltando fogos pelos
olhos.
- Vamos até ele antes que ele faça alguma coisa. – Junior
murmurou para Daniel.
- Calma, ele não irá fazer nada. – disse Daniel.
- Como você sabe? – indagou Junior olhando disfarçadamente
para Cristiano.
-Você ainda não conhece ele ?
Logo o estacionamento foi ficando vazio, agora só restava
seis pessoas ali.
Allana ainda procurava a chave de seu carro na bolsa.
Quando perceberam que a lambisgóia da Beatriz entrou no
carro, Junior e Daniel se aproximaram de Cristiano.
- Mantenha a calma Cristiano. – disse Junior batendo de leve
nas costas do amigo.
- Fique sossegado Junior,eu estou bem. – disse ele olhando em
direção ao carro da Beatriz.
- Eu já vou indo que eu tenho um compromisso.
- Eu também já vou nessa.
Quando seus amigos foram embora, Cristiano olhou
disfarçadamente para o carro da Beatriz e pensou: O que essa víbora está
tramando agora que ainda não foi embora?
Em seguida Cristiano se assusta com um barulho vindo atrás de
seu carro e vira-se estarrecido.
- Eu não posso acreditar nisso... – disse Allana furiosa
encostando a cabeça no volante.
- Aconteceu alguma coisa senhorita? – indagou ele assim que se aproximou do carro.
Quando ela levantou a cabeça do volante e olhou para ele,
Cristiano sentiu seus olhos brilharem e o coração se acelerar em seu peito.
Ela é mesmo muito bonita. – pensou ele.
- Me dá até vergonha de te dizer isso. – disse ela saindo do
carro.
- Não precisa ter vergonha Allana, me conte o que houve. –
pediu ele.
Quando ela ia começar a contar, Beatriz sai de seu carro e
bate a porta com força estarrecendo os dois.
- Você está louca? – gritou Cristiano olhando para Beatriz
com raiva.
Enquanto se aproximava deles, ela falava: - Eu posso saber o
que você está... – quando ia terminar a frase ela caiu e torceu o tornozelo.
- Ai,ai...como isso dói.
Allana correu até ela e Cristiano permaneceu onde estava,
cruzou os braços sobre o peito e ficou apenas observando ela fazer a sua
ceninha de sempre para chamar a sua atenção.
- Onde está doendo? – indagou Allana ajudando-a a se
levantar.
- O meu tornozelo, eu acho que o torci... ai, ai está doendo
muito. – disse ela olhando para Cristiano com uma expressão de choro.
Cristiano olhava para aquela situação e começava a ficar
nervoso e em seguida resolveu se aproximar, não pela Beatriz, mas por Allana que não sabia realmente que tipo de pessoa era
Beatriz.
- Pode deixar que eu a levo até o carro dela Allana.
- Você não quer que eu o ajude?
- Não precisa Allana, obrigado.
Cristiano constrangido, louco da vida e querendo terminar
logo com toda essa situação, colocou um braço em volta da cintura dela e
caminhou com ela até o carro.
Beatriz aproveitou mais da situação e abeirou-se mais no
peito dele.
- Hum! Más que perfume gostoso você está usando amor.
Cristiano cerrou os dentes já perdendo a paciência com ela.
- Pronto, agora entre no carro e vá embora. – disse ele de
uma vez assim que à levou até o carro.
- Nossa! Você precisa me tratar desse jeito? –disse ela com
a maior inocência do mundo fazendo manha.
Cristiano não se deixou levar pelas más influências da
Beatriz e disse firme: -É o jeito que você merece ser tratada. –relatou encarando-a com
os olhos fumegando de raiva.
Quando entrou no
carro, ela ligou o motor e partiu furiosa dali cantando os pneus.
Cristiano e Allana tiveram que tapar os ouvidos com as mãos
porque o barulho era ensurdecedor.
- É mesmo uma louca. – murmurou ele.
Vendo Cristiano aproximar-se de si, Allana disse: - Nossa Cristiano, você não precisava
tê-la tratado desse jeito.
- Você diz isso porque você não a conhece.
- Nossa!Falando desse jeito parece até que ela é má.
- Ela é insuportável, isso sim. – Cristiano suspirou e
depois continuou. – Ela fica todo santo dia na minha cola, eu já falei para ela
que eu não quero nada com ela, más não adianta, ela parece uma sombra que fica
me perseguindo, isso aos poucos foi me irritando, até que hoje eu não aguentei e você viu no que deu.
Pela maneira como Cristiano passava as mãos no rosto e nos
cabelos, Allana percebeu que ele estava nervoso e cansado.
- Eu sinto muito por tudo isso. – disse ela.
Cristiano a olhava nos olhos e sorria.
Meu Deus! Que sorriso lindo. – pensou ela.
- Sou eu quem lhe devo desculpas por toda essa confusão. –
disse ele pegando na mão direita dela. Allana sentiu seu corpo tremer por
dentro. A mão dele é tão macia.
- Me fale o que você iria me contar à alguns minutos atrás .
– lembrou ele ainda segurando na mão
dela e sentindo o calor daquela mão macia.
- Oh! Meu Deus! Com toda essa confusão eu acabei me
esquecendo. – disse ela tirando lentamente sua mão da dele.
- Acabou a gasolina do meu carro.- contou de uma vez dando
de ombros envergonhada. –Más que raiva. – murmurou.
Cristiano começou a rir pela maneira como ela falou no
final, em seguida colocou a mão direita no ombro dela fazendo-a virar-se.
- Não precisa ficar com vergonha, isso acontece com todo
mundo, inclusive comigo já aconteceu duas vezes.
- Você tem razão. – disse ela já mais calma.
- Aqui em frente tem um posto de gasolina, você prefere ir
comigo ou prefere me esperar aqui?
- Eu irei com você.
- Puxa Cristiano, eu estou muito chateada com você. - disse
Allana assim que eles chegaram no estacionamento da empresa.
- Eu posso ao menos saber o porque? – disse ele abrindo a
tampa do tanque para adicionar a gasolina.
- Porque você não me deixou pagar o litro de gasolina.
- Você está chateada comigo só porque eu não a deixei pagar
a gasolina? Ah... Allana, pare com isso vai.
- Más isso é errado, além de eu estar aqui roubando o seu
tempo, fazendo você ir comigo até o posto, você ainda pretende pagar a
gasolina?
Cristiano riu.
Assim que terminou de encher, ele fechou o tanque, se
levantou e começou a admirá-la da cabeça aos pés enquanto dizia: - Quer saber,
eu estou começando a achar que você vai ficar chateada comigo até o ano que vem
porque eu paguei o seu litro de gasolina. – brincou ele.
Allana começou a rir, fazendo com que Cristiano risse
também.
- Quanto exagero. – disse ela cruzando os braços e meneando
a cabeça lentamente para os lados.
- Vamos fazer o seguinte? Depois você me paga um café e está
resolvido. –disse rindo.
Assim que eles se despediram, já no carro Allana disse após
ligar o motor.
- Obrigada mais uma vez. Eu espero não ter tomado muito do
seu tempo.
- Que isso foi um prazer ajudá-la.
Quando ela foi embora Cristiano entrou em seu carro e partiu
logo em seguida.
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