terça-feira, 24 de maio de 2016

Capítulo 7 - Passado que fere


Cristiano suspirou aliviado após chegar em casa, foi até a sala, ligou a televisão, sentou-se no sofá e começou a pensar na vida.
Tudo começou no dia dez de janeiro de dois mil e dezesseis em um sábado a noite quando ele foi com os amigos na danceteria Boate Pacha Goiânia.
Solteiro, ele foi na danceteria com os amigos apenas para se divertir, más acabou se interessando por uma garota chamada Paloma e acabou pedindo o número do celular dela.
Alguns dias depois, ele liga para ela e eles marcam de se encontrarem no shopping.
Era um domingo à tarde e estava um dia maravilhoso, eles passeavam pelo shopping e conversavam alegremente e foi nessas conversas que os dois se apaixonaram, então Cristiano não demorou muito e a pediu em namoro nesse mesmo dia.
Paloma abriu um sorriso radiante, seu coração começou a palpitar dentro do peito.
Ao vê-la assim, Cristiano também abriu um lindo sorriso, seu coração pulsava em seu peito, minutos depois ao perceber que ela nada dizia, Cristiano começou a ficar ansioso e nervoso por dentro, seu coração batia descompassado. Ouve alguns minutos de espera que para ele foi uma eternidade, más quando finalmente ela aceitou o seu pedido de namoro, ele voltou a sorrir e minutos depois os dois trocaram um beijo apaixonado.
Desde esse dia eles não se desgrudavam mais e o amor que um sentia pelo outro aumentava a cada dia.
O amor deles eram tão lindo que sempre que eles se encontravam os problemas desapareciam e davam lugar a um mundo mágico.
Entre eles não existiam segredos, eles compartilhavam tudo.
Eles compartilhavam sobre o amor que um sentia pelo outro, trocavam carícias e beijos apaixonados.
Cristiano apaixonado fazia de tudo para agradá-la e Paloma retribuía a esse amor.
Meses depois,cada vez mais apaixonado e seguro de si, ele a pede em casamento.
Paloma abre um belo sorriso, deixa as lágrimas escorrerem pelo seu rosto e em seguida o abraça bem forte e dá um beijo apaixonado em seus lindos lábios, minutos depois se distancia dele e com o coração cada vez batendo mais forte em seu peito, sem pensar duas vezes, diz sim a pergunta que ele tanto esperava ouvir.
Tudo foi preparado com muito carinho.
Então chega  o dia do casamento, os convidados que eram muitos, estavam ansiosos pela chegada da noiva, más mais ansioso do que eles, estava o noivo que não via a hora de estar casado com a mulher de sua vida.
Alguns minutos se passam e ela não chega, é natural a noiva se atrasar um pouco.
Mais alguns minutos se passam e mais uma vez ela não aparece, os convidados começam a murmurar entre si. Cristiano que a essa altura já estava preocupado e nervoso, começa a olhar disfarçadamente para cada um dos convidados e passa vergonha, minutos depois olha de relance para o padre e percebe que ele estava aparentemente tranquilo.
Envergonhado demais, o noivo baixa a cabeça e fecha os olhos com força.
Cansados de esperar, os convidados começam a se levantar, de repente Cristiano levanta a cabeça, olha para a porta e percebe o pai da noiva vindo... sem ela.
Ele arregala os olhos e abre um pouco a boca sem entender, o pai da noiva para diante da porta da igreja e olha para todos os convidados que os olhavam com cara de espanto, em seguida entra na igreja sério , sem dizer uma palavra e para diante do padre e do seu genro.
Ele olha de relance para os dois e em seguida passa uma das mãos pelos cabelos.
Quando olha novamente para Cristiano, ele sente um nó na garganta que o impede de falar.
Cristiano o olhava confuso, com os olhos tristes, frustrado e com raiva incapaz de se mexer, não saindo do lugar.
 Meu Deus! Como eu irei dar essa notícia à ele. – pensou o pai da noiva. Más decidido a acabar com essa história de uma vez, Rogério aproximou-se de Cristiano e baixinho chamou-o para fora da igreja .
Rogério o levou para o outro lado da rua onde estava a sua esposa.
A história foi longa.
Cristiano atravessava a rua com passos largos, seus olhos estavam queimando de raiva e sua expressão estava séria.
Deduzindo que estavam todos fora da igreja e querendo acabar logo com isso,mesmo estando louco da vida, tentou dizer da maneira mais calma que conseguiu aos convidados.
- Não haverá mais casamento. Me desculpem.
Assim que disse isso, virou-se e caminhou apressadamente em direção ao seu carro.
Rogério e Luciana, os pais da noiva, tentaram impedir que ele fosse embora dessa forma, más foi tarde demais, ele já tinha acelerado com o carro.
Algumas horas depois, Cristiano balança a cabeça para os lados e acorda desse pesadelo.
Agora ele começa a pensar como foi o seu dia na danceteria.
Apesar de ficar pensando o tempo todo que queria ir embora daquele lugar cheio, Cristiano admitiu para si mesmo que havia gostado de estar lá na companhia dos seus amigos.
Estar naquela pista lotada com os amigos se divertindo e conversando, fez ele esquecer dos problemas.
De repente, Cristiano abriu um lindo sorriso ao pensar em Bruna, a garota que ele havia conhecido na danceteria.
Bruna era simpática, bem humorada, carinhosa e muito bonita. Cristiano gostou muito de tê-la conhecido e dançado com ela e tinha certeza que ela também havia gostado de ter dançado com ele.
Por que eu não pedi o número do celular dela? Não, eu não faria isso. Como eu poderia pedir o número do celular dela e com o tempo iniciar um relacionamento se eu ainda estava preso à um passado monstruoso. – ele pensou, passando as mãos no rosto pensando o que fazer.
Ele pensou que houvesse apagado esse passado de vez da sua mente ao chegar em casa e que dormiria sossegado, más se lembrou que se não se livra-se de todas as coisas que ela havia dado à ele, por mais que ele quisesse, ele nunca iria conseguir se livrar desse horrível passado.
Então, decidido a fazer isso, ele subiu as escadaria até o seu quarto.
Acendeu a luz do quarto, caminhou até o armário, abriu a porta e pegou lá em cima uma caixa de sapatos e também um álbum de fotografias grande, se sentando na cama deixou o álbum de lado, pegou a caixa de sapatos e abriu-a.
Nela havia cartas e mais cartas, Cristiano pegou uma nas mãos, abriu-a e começou a ler, más logo em seguida disse ficando nervoso: - Por que eu estou fazendo isso? – e em seguida colocou a carta novamente na caixa e praticamente jogou a caixa na cama.
Pegando o álbum, foi abrindo e passando os olhos rapidamente nas fotos.
As fotos eram de quando eles estavam namorando.
Ele nem havia chegado na metade das fotos quando fechou o álbum.
Jogando também o álbum na cama da mesma maneira que fez com a caixa, se levantou, caminhou novamente até o armário e vasculhou em todos os cantos dele a procura de mais alguma coisa venenosa que estivesse por ali.
Encontrou apenas um ursinho de pelúcia. Também pegou-o e atirou-o na cama.
Ele tinha certeza que as coisas que lembravam ela, estavam todas ali naquele lado do armário, más para garantir que estava mesmo certo disso, ele abriu  as portas dos outros armários e também das cômodas à procura de mais algum veneno e não encontrou nada, em seguida foi até a suíte ver se encontrava mais alguma coisa e também não encontrou.
Assim que pegou todas as coisas que estavam jogadas em cima da cama, ele desceu as escadarias correndo e jogou-os quase tudo na lata de lixo que havia no quintal, ele só havia ficado com o ursinho de pelúcia para doar a uma instituição de caridade amanhã.
- Eu não sei como é que eu pude ser tão idiota e burro à ponto de querer guardar essas coisas comigo durante tanto tempo. – murmurou.
- Ah! Más eu estou me sentindo bem mais leve agora e muito mais feliz. – sussurrou dessa vez sorrindo.
Quando colocou um pé no primeiro degrau da escada disse baixinho: - Só espero e desejo que você nunca mais apareça em minha frente novamente, pois você não sabe do que eu sou capaz de fazer.
Assim que disse isso, subiu as escadas, entrou no quarto e foi até a suíte tomar banho.
Já trocado e morto de cansaço atirou-se na cama e adormeceu.

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